VIVER COM A VERDADE DE SI


Viver com autonomia. Lembrei desta pequena frase ao ler com as crianças leitoras seus textos. Procuramos estimular uma leitura desautomatizada. Muitas de nossas atividades estão aprisionadas por automatismos: estudar para fazer prova; estudar para passar no Enem; estudar para construir o futuro programado...
Apesar de reconhecer o quanto são limitadores os automatismos, eu e nossas crianças ainda mergulhamos em contradições. A cela dos hábitos parece trazer algum conforto. Mas é um alento costumeiro, logo, previsível. Se somos seres pensadores e criadores, como não resistir aos encaixes impostos pelos sistemas que nos rodeiam?

Penso sempre sobre esta escolha pela autonomia ao me organizar nos sábados pela manhã para viver o projeto Biblioteca Leituras e Descobertas do Mundo. Recordo-me quando criança. Tantos nãos que me eram impostos. Eu não compreendia. Também não me identificava com as expectativas dos outros sobre o que deveria fazer. Meu ser era indômito. Mas, pouco a pouco, foi sendo domesticado. Mas sem apagar a chama que nutria meu eu interior livre e criativo.
“Perto do coração selvagem”, sentia-me, e ainda sinto, confortável e aberto à vida. Ao propor movimentos de leitura, pensamento, imaginação e criatividade, revivo minha alma selvagem com aguçada sensibilidade. Ser autêntico é uma necessidade. A caminhada de nossa biblioteca persegue este intento: viver com a verdade de si.




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